Entre os diversos desafios que acompanham a terceira idade, as quedas ganham destaque e são um assunto frequente em pesquisas científicas para esta população.
Entenda os impactos do envelhecimento na saúde dos idosos, assim como os cuidados nutricionais necessários para garantir a saúde óssea e muscular para prevenção de quedas.
O envelhecimento e os seus impactos na saúde
O envelhecimento faz parte do ciclo da vida e é um processo acompanhado por mudanças físicas, psicológicas e fisiológicas1.
Todas estas alterações trazem como consequência a redução gradual da capacidade funcional e maior vulnerabilidade do idoso. Com isso, podem ocorrer restrições relacionadas à capacidade de locomoção, levando a quedas e à limitação da habilidade de realizar atividades rotineiras1.
A queda é uma questão problemática e um grande problema de saúde pública na população idosa, uma vez que é uma das principais causas de lesões, incapacidade e até mesmo mortalidade nesta faixa etária2.
O impacto das quedas é amplo e não se restringe apenas às consequências físicas. Também repercute em aspectos psicológicos e sociais, como o aumento da insegurança e medo de cair, restrição de atividades, perda de independência e isolamento social2,3.
A importância da saúde óssea e muscular para os idosos
A saúde óssea e muscular são dos fatores que apresentam grande relevância quando o assunto é a preservação da funcionalidade do idoso. Algumas condições, como sarcopenia e osteoporose, são frequentes nessa faixa etária, impactam significativamente na saúde e podem aumentar o risco de quedas4,5.
Sarcopenia
É caracterizada pela perda progressiva da força e da massa muscular e é acompanhada por desfechos adversos, como o prejuízo à qualidade de vida, mobilidade, quedas, fraturas e maior mortalidade4,7.
Osteoporose
A prevalência da osteoporose é duas vezes maior nas mulheres do que nos homens e estima-se que 50% das mulheres e 20% dos homens com idade igual ou superior a 50 anos sofrerão uma fratura óssea devido à doença ao longo da vida8.
É uma doença caracterizada pela redução da densidade mineral óssea e consequente enfraquecimento dos ossos, o que causa um impacto significativo no risco de queda, elevando a predisposição a fraturas e sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade em idosos5,8-10.
Os nutrientes envolvidos na prevenção de quedas
Tendo em vista o impacto das condições citadas acima na prevalência de quedas em idosos, alguns nutrientes merecem atenção especial para garantir a saúde óssea e muscular nesta população.
Proteínas
As proteínas são essenciais para garantir a saúde, funções corporais e síntese muscular. A ingestão suficiente deste grupo alimentar ao longo do envelhecimento ajuda na preservação da massa muscular, das funções corporais e da saúde nesta fase da vida7.
Uma ingestão proteica suficiente, com o consumo de proteínas de alto valor biológico, é capaz de frear a evolução da sarcopenia. Além disso, fracionar a alimentação e distribuir os alimentos proteicos de forma regular ao longo do dia também é uma estratégia recomendada11.
A recomendação de ingestão proteica para idosos é de 1,0 a 1,2 g/kg de peso corporal por dia. Para idosos com alguma doença estabelecida, a ingesta proteica pode ser otimizada. Nesses casos, é sugerida a ingestão diária de 1,2 a 1,5 g de proteína/kg, podendo chegar a 2,0 g/kg em casos de doenças graves ou desnutrição7,12.
Garantir alimentos ricos em proteínas deve ser parte diária da alimentação nesta fase da vida. Laticínios, ovos, carnes e leguminosas podem ser incluídos de forma estratégica, de acordo com as preferências, hábitos e limitações de cada um. Os suplementos proteicos também podem ser considerados, em casos de dificuldade para atingir a meta proteica diária.
Cálcio e vitamina D
O cálcio é um dos principais minerais constituintes do osso e tem grande papel na saúde óssea, em todas as idades. Na terceira idade, este mineral merece cuidado especial devido à capacidade reduzida de absorção e taxa de reabsorção óssea aumentada13.
Estudos mostram que a ingestão de cálcio no Brasil é insuficiente, o que pode contribuir para o aumento da prevalência de osteoporose em nosso país13.
A principal fonte alimentar de cálcio é o leite e seus derivados, uma vez que possui quantidade significativa do mineral por porção habitualmente consumida, boa biodisponibilidade e costuma fazer parte do hábito alimentar da população13.
A vitamina D é responsável pela homeostase do cálcio no organismo e desempenha um papel essencial na saúde óssea, uma vez que garante a absorção deste mineral no intestino14-16.
Então, o cálcio e a vitamina D atuam em sinergia para manter a densidade óssea ao longo do envelhecimento13,15. O cálcio garante a base estrutural dos ossos e a vitamina D, por sua vez, garante que este mineral seja bem absorvido e utilizado pelo organismo.
Uma alimentação bem planejada é um dos pilares para a manutenção adequada da massa óssea e muscular, e deve ser orientada por um profissional de saúde para garantir que todos os nutrientes necessários estejam incluídos.
Muitas vezes, o consumo de alimentos em quantidade e variedade adequada na terceira idade por ser um desafio, e a necessidade de suplementação pode ser considerada após avaliação individual como forma de complementar as refeições.
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