A primeira infância é um período que compreende os primeiros 6 anos de vida das crianças. Esta é uma fase de extrema importância para o desenvolvimento infantil e as experiências vivenciadas impactarão por toda a vida1.
Desde o período de pré-concepção até os primeiros anos de vida, as crianças enfrentam um período de alta vulnerabilidade. Ao mesmo tempo que há maior risco envolvido com o impacto dos fatores ambientais e nutricionais, também há maior oportunidade para fazer a diferença em sua vida2,3.
Os primeiros anos de vida são marcados pelo crescimento acelerado e desenvolvimento cerebral e do sistema imunológico, o que impacta diretamente nas necessidades nutricionais nesta fase3.
Neste contexto, as vitaminas exercem papel central como micronutrientes reguladores de processos bioquímicos essenciais. Podem modular a expressão gênica, influenciar diretamente no crescimento, mineralização óssea, neurogênese, resposta imune e metabolismo energético.
Assim, um aporte nutricional adequado é essencial para garantir o crescimento, desenvolvimento e funcionamento do cérebro, principalmente na infância3,4.
Veja a seguir algumas vitaminas essenciais na primeira infância e que merecem atenção especial no acompanhamento nutricional pediátrico.
Vitamina D
A vitamina D desempenha um papel fundamental na saúde óssea, com a regulação do metabolismo do cálcio e aumento na absorção intestinal deste mineral5.
Além disso, estudos mostram que a vitamina D também participa da modulação do sistema imunológico, ajudando na defesa contra infecções e na regulação de processos inflamatórios5.
Então, é considerado essencial atingir concentrações séricas adequadas desta vitamina na infância para garantir o metabolismo ósseo adequado, entre outras funções atribuídas a este nutriente5.
A vitamina D pode ser ingerida por meio de alguns alimentos, mas é sintetizada principalmente pela pele quando exposta à luz solar5. De acordo com o Ministério da Saúde, a exposição da criança ao sol é o principal estímulo para a produção de vitamina D no organismo6.
Na sua forma natural, poucos alimentos contêm vitamina D. Entre eles, estão o óleo de fígado de peixe, alguns tipos de peixe (sardinha, salmão, arenque e atum) e a gema de ovo5.
A deficiência de vitamina D é uma preocupação na população infantil, principalmente pela redução da exposição solar nos dias de hoje3.
Por isso, a suplementação de vitamina D é recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria para todas as crianças e adolescentes3. Em caso de deficiência constatada em exames, a dose pode ser diferente e deve ser prescrita de forma individual por um profissional habilitado.
Confira abaixo a recomendação diária para este nutriente7:
- 0 a 11 meses: 400 UI;
- 12 meses a 18 anos: 600 UI.
Vitamina A
A vitamina A é muito reconhecida pela sua função na visão, mas também possui papel essencial em momentos de intenso crescimento e desenvolvimento, características marcantes da infância8.
Também possui ação antioxidante e está intimamente associada ao sistema imunológico. Ela é considerada, entre todos os micronutrientes, o mais associado às doenças infecciosas8.
Assim, a deficiência de vitamina A pode afetar o desenvolvimento e crescimento, aumentar o risco de infecções e provocar importantes problemas visuais6,8.
De acordo com dados atuais, a prevalência de deficiência de vitamina A no Brasil é de 6,0%, nas crianças de seis meses a 5 anos de idade. As maiores prevalências foram observadas nas regiões Centro-Oeste (9,5%), Sul (8,9%) e Norte (8,3%)3,9.
Atualmente, existe um programa nacional de suplementação de vitamina A, com recomendações que variam de acordo com a idade e região de residência da criança. É uma estratégia de saúde pública devido ao risco de deficiência associado aos menores níveis socioeconômicos e às condições de desenvolvimento do país3.
Na prática, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a avaliação individual pelo profissional da saúde. Avaliar a ingestão dietética de vitamina A e a necessidade de suplementação individualmente evita a oferta excessiva deste nutriente, que também pode ser prejudicial à criança3.
As principais fontes alimentares desta vitamina são: leite integral e seus derivados integrais, gema de ovo, fígado, hortaliças e frutas amarelo-alaranjadas e verde-escuras (cenoura, abóbora, mamão, agrião, almeirão, mostarda) 3.
Confira abaixo a recomendação diária para este nutriente7:
- 1 a 3 anos: 300 mcg ERA;
- 4 a 8 anos: 400 mcg RAE.
Vitamina B9 (ácido fólico)
O ácido fólico atua no metabolismo de proteínas e na síntese de DNA e RNA, sendo um nutriente de extrema importância durante períodos de grande replicação celular e de crescimento, como a infância10.
As crianças são um público vulnerável à deficiência desta vitamina, por isso, é essencial atentar à ingestão diária deste nutriente para esta população10.
Entre os principais alimentos fontes de ácido fólico, estão os vegetais verde escuros, fígado, ovos, cereais integrais e leguminosas10.
Confira abaixo a recomendação diária para este nutriente7:
- 1 a 3 anos: 150 mcg;
- 4 a 8 anos: 200 mcg.
Vitamina B12
A vitamina B12 é um micronutriente essencial que participa de processos vitais no organismo, especialmente relacionados ao sistema nervoso, hematopoiese e ao metabolismo celular11.
Esta vitamina participa ativamente da produção de energia no organismo. Por isso, quando há deficiência, é comum sentir cansaço e fraqueza11.
Além disso, ela também é essencial para a função neurológica. É comum que a deficiência de vitamina B12 leve a prejuízos relacionados à cognição, um ponto de muita atenção e relevância na infância11.
As principais fontes de vitamina B12 são os alimentos de origem animal: carnes, ovos, leite e derivados do leite11.
Por isso, as crianças que não consomem alimentos de origem animal, as vegetarianas estritas ou veganas, precisam suplementar a vitamina B12 de rotina, de acordo com as recomendações atuais e acompanhamento individualizado12.
Confira abaixo a recomendação diária para este nutriente7:
- 1 a 3 anos: 0,9 mcg;
- 4 a 8 anos: 1,2 mcg.
Tanto o ácido fólico quanto a vitamina B12 têm se mostrado particularmente relevantes para o desenvolvimento cognitivo4, reforçando a importância de um cuidado redobrado na avaliação e acompanhamento nutricional na primeira infância.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a partir de um ano de vida e na impossibilidade do aleitamento materno, um leite fortificado com vitaminas e minerais pode ser recomendado quando necessário. Ele pode contribuir para uma oferta nutricional adequada e minimiza eventuais carências nutricionais que podem acontecer devido à seletividade alimentar comum nesta idade3.
Sendo assim, uma avaliação individualizada e criteriosa do comportamento e aceitação alimentar na primeira infância por um profissional habilitado é essencial para garantir um bom aporte de vitaminas essenciais nesta fase da vida.