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27 de agosto, 2026
- Por Acervo Grupo Piracanjuba

Risco nutricional no idoso: como identificar

Saiba como identificar o risco nutricional em idosos, conhecer os principais fatores de risco e entender a importância da suplementação na prevenção de complicações relacionadas ao envelhecimento.
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Risco nutricional no idoso: como identificar

Risco nutricional no idoso: como identificar e prevenir? 

O envelhecimento está associado a alterações fisiológicas, metabólicas e funcionais que aumentam a vulnerabilidade do idoso à má nutrição1
Por isso, o rastreio precoce do risco nutricional é fundamental para prevenir desfechos adversos, como a sarcopenia, fragilidade, aumento de morbimortalidade e piora da qualidade de vida.
Diretrizes internacionais, como as da European Society for Clinical Nutrition and Metabolism1, recomendam que todos os idosos sejam rotineiramente avaliados quanto ao risco de desnutrição, independentemente do cenário clínico, visando à identificação precoce e intervenção nutricional oportuna.

O conceito de risco nutricional no idoso

O risco nutricional refere-se à probabilidade de desnutrição e à maior suscetibilidade a desfechos clínicos adversos na ausência de uma intervenção nutricional adequada1,2.
O acompanhamento e a realização de uma triagem nutricional são essenciais para a elaboração de um planejamento alimentar que supra todas as necessidades nutricionais no envelhecimento2.

Por que identificar precocemente?

O objetivo da triagem de risco nutricional já no início de um acompanhamento é identificar os idosos em risco de desnutrição e, diante disso, iniciar uma intervenção nutricional preventiva para evitar a piora do estado nutricional, assim como prejuízos à capacidade funcional2.
Dessa forma, a identificação do risco de desnutrição está diretamente associada à prevenção de complicações comuns no envelhecimento1, tais como:
  • perda de massa muscular e força (sarcopenia)3;
  • comprometimento funcional e aumento de quedas3,4;
  • maior tempo de internação e complicações clínicas2
  • aumento da mortalidade5.
Portanto, a triagem permite intervenções precoces, incluindo ajustes dietéticos e uso de suplementos nutricionais orais, quando necessário2.

Principais fatores de risco de má nutrição no envelhecimento

O risco nutricional no idoso costuma ser multifatorial e pode resultar da interação entre alterações fisiológicas do envelhecimento, condições clínicas, fatores psicossociais e ambientais. Esses fatores podem coexistir, potencializando o risco de má nutrição e, consequentemente, seus desfechos adversos1,2.

1.Falta de apetite e baixo consumo alimentar

A anorexia e as alterações no paladar são questões comuns no processo de envelhecimento. Elas impactam diretamente na aceitação alimentar e o aporte nutricional do dia a dia, uma vez que, além de reduzir a quantidade, também podem piorar a qualidade da alimentação1.

2.Função oral prejudicada
A perda da eficiência funcional da mastigação e deglutição no envelhecimento leva à redução do consumo de alguns tipos de alimentos, principalmente os de textura mais resistente à mordida, como as carnes6,7
Este contexto pode levar à preferência por alimentos mais pastosos ou líquidos e, quando não há acompanhamento nutricional adequado, pode haver redução da densidade proteica da dieta e prejuízo ao estado nutricional6.


3.Doenças crônicas e gastrointestinais

A alta prevalência de doenças crônicas ou gastrointestinais nesta faixa etária evidencia uma preocupação referente à demanda nutricional e à absorção dos nutrientes1.
As doenças gastrointestinais podem reduzir a biodisponibilidade e absorção de nutrientes. Nesse sentido, a vitamina B12, o cálcio e o ferro merecem atenção especial. Em caso de deficiência, ela deve ser corrigida por meio de suplementação1.
Além disso, para idosos com alguma doença estabelecida, as necessidades nutricionais precisam ser ajustadas, principalmente as relacionadas às calorias e proteínas1,2.

A importância da suplementação nutricional

Tendo em vista esse cenário, o consumo de calorias, proteínas e outros nutrientes essenciais para a saúde dos idosos, tais como o cálcio e a vitamina D, pode ser insuficiente e não atender às recomendações para a faixa etária2.
Uma vez feita a triagem e avaliação nutricional, as diretrizes atuais recomendam que os suplementos sejam considerados para garantir adequação de energia, proteína e micronutrientes, especialmente em idosos com ingestão insuficiente1.
Em suma, a suplementação nutricional pode ser uma estratégia eficaz para:
- Atingir necessidades proteicas, ponto fundamental para a prevenção de sarcopenia;
- Garantir aporte adequado de micronutrientes críticos como, por exemplo, o cálcio e a vitamina D;
- Melhorar o estado nutricional de modo geral.
Assim, a identificação precoce do risco nutricional no idoso permite intervenções nutricionais oportunas e eficazes. A adequação dietética e suplementação nutricional são essenciais na prevenção da má nutrição, contribuindo para manutenção da funcionalidade, independência e qualidade de vida do idoso.


Referências Bibliográficas
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


[1] Volkert D, Beck AM, Cederholm T, Cruz-Jentoft A, Hooper L, Kiesswetter E, et al. ESPEN practical guideline: Clinical nutrition and hydration in geriatrics. Clinical Nutrition [Internet]. 2022 Apr;41(4):958–89.
[2] Gonçalves TJM, Lilian M, Horie S, Adami B, et al. BRASPEN JOURNAL DIRETRIZ BRASPEN DE TERAPIA NUTRICIONAL NO ENVELHECIMENTO. 2019. Disponível em: https://www.sbnpe.org.br/_files/ugd/a8daef_13e9ef81b44e4f66be32ec79c4b0fbab.pdf
[3] Fhon JRS, Silva ARF, Lima EFC, Santos Neto APD, Henao-Castaño ÁM, Fajardo-Ramos E, Püschel VAA. Association between Sarcopenia, Falls, and Cognitive Impairment in Older People: A Systematic Review with Meta-Analysis. Int J Environ Res Public Health. 2023 Feb 25;20(5):4156.
[4] Drummond FMM, Lourenço RA, Lopes CDS. Incidence, persistence and risk factors of fear of falling in older adults: cohort study (2008–2013) in Rio de Janeiro, Brazil. Revista de Saúde Pública. 2020 Jul 13;54:56.
[5] Calderon NSP, Gomes DSP, Cavalcante CMS, et al. O impacto multifatorial das quedas na saúde do idoso: uma revisão integrativa. Ciências da Saúde. 2025;29:151.
[6] Medeiros AMM, Araújo RCP, Borges AFM, Sousa SES, Araujo CM, Magalhães Junior HV, Cavalcanti RVA, Taveira KVM. Relationship between mastication and malnutrition in community-dwelling older adults: a meta-analysis. Codas. 2024 May 31;36(4):e20230209. 
[7] Wu X, Xu Y, Liu Y, Ma A, Zhong F, Gao T, Cai J, Chen Y, Wang Y, Zhou W, Ma Y. Relationships between oral function, dietary intake and nutritional status in older adults aged 75 years and above: a cross-sectional study. BMC Public Health. 2024 May 31;24(1):1465.



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