< Voltar para Conteúdos
02 de abril, 2026
- Por Acervo Grupo Piracanjuba

Ômega 3 - por que esse nutriente é tão relevante nos primeiros 6 meses de vida?

Os ácidos graxos possuem papel essencial na saúde e desenvolvimento infantil. Saiba como o ômega-3 faz a diferença para os bebês e a sua recomendação de consumo.
Compartilhe
bebê dormindo
O período compreendido entre a concepção e os primeiros meses de vida está inserido no conceito dos "primeiros 1000 dias", representando uma janela de oportunidades de extrema relevância para a saúde do bebê1
Tendo em vista que os lipídeos são essenciais para o desenvolvimento infantil, os ácidos graxos ômega-3 ganham destaque nessa janela de oportunidades, não apenas como um componente estrutural, mas como um modulador de processos fisiológicos essenciais2

Nos primeiros seis meses de vida, a disponibilidade deste nutriente é determinante para o desfecho do neurodesenvolvimento, da função visual e da programação metabólica do lactente3.

O que é ômega 3 e qual a sua importância na infância?


Entre os lipídeos, os ácidos graxos polinsaturados (PUFAs) são amplamente estudados na literatura por seu papel na infância.
Os PUFAS podem ser divididos em dois grupos principais: os ácidos graxos ômega 6 e os ácidos graxos ômega 3, que se diferenciam pela posição da dupla ligação nos carbonos de suas cadeias moleculares3.

Para a nutrição infantil, três formas de ômega 3 possuem grande relevância clínica:

  1. Ácido Alfa-linolênico (ALA);
  2. Ácido Eicosapentaenoico (EPA);
  3. Ácido Docosahexaenoico (DHA).

Todos são ácidos graxos polinsaturados, com papel crucial na manutenção estrutural e funcional do cérebro, além de ação antinflamatória e modulação da resposta imune2,3.
O ALA é um ácido graxo essencial e precisa ser obtido via alimentação. Possui papel importante na estrutura da membrana celular e processos metabólicos. Ele pode ser utilizado pelo organismo como precursor para a produção de EPA e DHA3.
O DHA, por sua vez, é um nutriente fundamental para o crescimento e desenvolvimento infantil, pois atua na formação e no funcionamento do sistema nervoso central e da retina3.

DHA na saúde dos lactentes

Embora o organismo possua um complexo enzimático capaz de converter ALA em DHA, a conversão em bebês menores de 6 meses é insuficiente para atender à demanda metabólica acelerada desta fase, devido à imaturidade enzimática3
Portanto, o DHA é considerado um nutriente condicionalmente essencial durante o primeiro semestre de vida, devendo ser fornecido ao lactente diretamente via leite materno ou fórmula infantil enriquecida, na impossibilidade do aleitamento materno3.

Confira abaixo as principais funções do DHA dos 0 a 6 meses de vida:


Neurodesenvolvimento e cognição

O DHA é fundamental para o desenvolvimento infantil no início da vida, especialmente no que diz respeito à visão e ao sistema nervoso central3.
Ele é um dos principais ácidos graxos polinsaturados de cadeia longa presentes no sistema nervoso central. O acúmulo deste nutriente no cérebro coincide com seu período de crescimento acelerado, entre o último trimestre da gestação e os dois primeiros anos de vida3,4. 

A importância e dependência da transferência materna de DHA pode ser evidenciada por um estudo que comparou bebês amamentados, que apresentaram um aumento no DHA cortical, com bebês alimentados com fórmulas infantis sem DHA, onde esse aumento não aconteceu3.
Durante os primeiros meses de vida, ocorre intensa deposição desse ácido graxo no cérebro, coincidindo com fases críticas de formação de sinapses e maturação das redes neurais. Evidências indicam que níveis adequados de DHA estão associados a melhor desempenho em domínios como atenção, desenvolvimento psicomotor e funções cognitivas iniciais3,5.

Em contrapartida, a deficiência de DHA pode alterar a composição das membranas sinápticas, afetando diversas funções cerebrais3.

Acuidade visual


O DHA também desempenha papel essencial no desenvolvimento e na função do sistema visual. Esse ácido graxo tem alta concentração na retina, favorecendo a fluidez das membranas e a captação e processamento dos estímulos luminosos. Esta ação influencia diretamente a acuidade visual dos lactentes e revisões da literatura indicam que a suplementação de DHA na dieta infantil está associada a melhor acuidade visual durante os primeiros meses de vida6,7.

Recomendação de consumo para o primeiro semestre de vida

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o aleitamento materno é o padrão-ouro de alimentação para lactentes, sendo recomendado de forma exclusiva até os 6 meses e complementado até os 2 anos de vida ou mais8

Os lactentes que são amamentados precisam receber o DHA por meio do leite materno. Uma vez que a concentração de DHA no leite materno é dependente dos níveis maternos deste nutriente, é preciso assegurar que a lactante tenha um consumo adequado de DHA por meio da dieta e/ou por suplementação3
Na impossibilidade do aleitamento materno, para os bebês de 0 a 6 meses, é recomendado que o consumo de DHA seja feito por meio de fórmulas enriquecidas com este nutriente, seguindo as recomendações atuais3.

De acordo com o último consenso da ABRAN3, a recomendação de consumo de DHA para bebês é definida pelo fornecimento ou não do aleitamento materno:
• Bebês em aleitamento materno: para as lactantes - 200 a 600 mg/dia;
• Bebês de 0 a 6 meses sem aleitamento materno: 0,2 a 0,5% dos lipídeos totais.

A ingestão adequada de DHA nos primeiros meses de vida é uma medida nutricional imprescindível. Por isso, é preciso estar atento às estratégias nutricionais para assegurar a oferta desse nutriente e influenciar de forma positiva o crescimento e desenvolvimento saudáveis e seus desdobramentos importantes para a saúde futura.



Referências Bibliográficas
[1] Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Alimentação: orientações para alimentação do lactente ao adolescente, na escola, na gestante, na prevenção de doenças e segurança alimentar. 5ª edição – São Paulo, 2024.
[2] Najdi N, Jung C, Castañeda-Gutiérrez E, Michalski MC, Beraud V, Belaïche M, et al. Lipid intake in infants from birth to 3 years old: review of current guidelines and knowledge gaps. Nutrition Research Reviews. 2025;38(2):989–1005. 
[3] Nogueira-de-Almeida CA, Ribas Filho D, Philippi ST, Pimentel CV de MB, Korkes HA, Mello ED de, Bertolucci PHF, Falcão MC. II Consensus of the Brazilian Nutrology Association on DHA recommendations during pregnancy, lactation and childhood. IJN [Internet]. 2022 Aug. 25;15(3).
[4] Fang X, Lee S, Rayalam S, Park HJ. Docosahexaenoic acid supplementation and infant brain development: role of gut microbiome. Nutr Res. 2024 Nov;131:1-13.
[5] Tian A, Xu L, Szeto IM, Wang X, Li D. Effects of Different Proportions of DHA and ARA on Cognitive Development in Infants: A Meta-Analysis. Nutrients. 2025 Mar 20;17(6):1091.
[6] Jensen CL, Voigt RG, Prager TC, Zou YL, Fraley JK, Rozelle JC, Turcich MR, Llorente AM, Anderson RE, Heird WC. Effects of maternal docosahexaenoic acid intake on visual function and neurodevelopment in breastfed term infants. Am J Clin Nutr. 2005 Jul;82(1):125-32. 
[7] Birch EE, Carlson SE, Hoffman DR, Fitzgerald-Gustafson KM, Fu VL, Drover JR, Castañeda YS, Minns L, Wheaton DK, Mundy D, Marunycz J, Diersen-Schade DA. The DIAMOND (DHA Intake And Measurement Of Neural Development) Study: a double-masked, randomized controlled clinical trial of the maturation of infant visual acuity as a function of the dietary level of docosahexaenoic acid. Am J Clin Nutr. 2010 Apr;91(4):848-59.
[8] World Health Organization. Breastfeeding. Geneva: WHO; 2024. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/breastfeeding



Compartilhe

Logotipo Acervo de Conteúdos Piracanjuba Health & Nutrition.
Escrito por
Acervo Grupo Piracanjuba
Texto produzido por fontes especializadas, e publicado pela Piracanjuba com fins informativos.

Faça o download em PDF do artigo
Logo H&N

Com a Piracanjuba Health & Nutrition, você, profissional de saúde, tem acesso a conteúdos exclusivos

Acesse nossos conteúdos científicos

“O MINISTÉRIO DA SAÚDE INFORMA: APÓS OS 6 (SEIS) MESES DE IDADE, CONTINUE AMAMENTANDO SEU FILHO E OFEREÇA NOVOS ALIMENTOS.”

"O MINISTÉRIO DA SAÚDE INFORMA: O ALEITAMENTO MATERNO EVITA INFECÇÕES E ALERGIAS E É RECOMENDADO ATÉ OS 2 (DOIS) ANOS OU MAIS.”