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03 de setembro, 2026
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Por Acervo Grupo Piracanjuba
Nutrição para quem faz uso de GLP-1
Uma alimentação com qualidade e orientações específicas são essenciais para prevenir deficiências nutricionais e manejar sintomas adversos durante o tratamento com GLP-1.
O manejo nutricional em indivíduos em uso de agonistas do receptor de GLP-1 é um ponto essencial para otimizar os desfechos clínicos e minimizar riscos associados à redução significativa da ingestão alimentar.
Diretrizes recentes enfatizam que a terapia medicamentosa na obesidade deve ser integrada a intervenções nutricionais e comportamentais estruturadas, com foco na adequação de nutrientes, preservação de massa magra e prevenção de efeitos indesejados1,2.
Adequação nutricional na restrição calórica
O uso dos agonistas de GLP-1 está associado à redução do apetite, da ingestão alimentar e da velocidade do esvaziamento gástrico, o que leva à redução da ingestão calórica diária. Nesse cenário, há risco aumentado de ingestão insuficiente de nutrientes, tanto de macronutrientes quanto micronutrientes3,4.
Estima-se uma redução da ingestão energética de até 1.200 kcal/dia em relação à ingestão basal. Assim, com a diminuição da ingestão de energia, o consumo de alimentos ricos em nutrientes torna-se mais importante, assim como
o aconselhamento e acompanhamento nutricional para reduzir o risco de deficiências nutricionais3.
Qualidade da dieta e padrão alimentar
A redução da ingestão alimentar impacta diretamente na qualidade da dieta. Por isso, as recomendações atuais enfatizam a adoção de padrões alimentares com foco em densidade e qualidade nutricional1,3.
Alimentos recomendados:
- frutas e vegetais;
- cereais integrais;
- leguminosas;
- laticínios reduzidos em gordura;
- proteínas magras (carnes e ovos);
- oleaginosas e sementes;
- óleos vegetais.
Alimentos que devem ser evitados:
- carboidratos refinados;
- bebidas adoçadas;
- carnes processadas/embutidos;
- alimentos gordurosos;
- ultraprocessados.
É essencial criar e manter hábitos alimentares e de vida saudáveis durante o uso dos medicamentos, para que permaneçam após o término do tratamento e auxiliem na manutenção do peso alcançado.
Ingestão proteica e preservação de massa magra
A proteína é um macronutriente essencial e a ingestão insuficiente deste nutriente pode levar à perda excessiva de massa magra, fraqueza, edema, queda de cabelo e alterações na pele3.
Considerando que a perda de peso induzida pelo tratamento com GLP-1 leva à redução de massa magra, a ingestão proteica torna-se um ponto crítico e requer atenção especial no acompanhamento nutricional1,5.
Neste contexto, as recomendações atuais sugerem1,3:
- Consumo mínimo de 60 gramas de proteína por dia ou 1,5 g/kg/dia;
- Distribuição dos alimentos ou suplementos proteicos ao longo do dia;
- Associação do consumo de proteínas com a prática de exercícios de resistência.
Durante o tratamento com os análogos de GLP-1, os produtos substitutos de refeição, como shakes, barras ou outros alimentos formulados podem ser usados para complementar a ingestão alimentar e ajudar a atender às necessidades de proteína, especialmente no início do tratamento ou se o apetite estiver significativamente reduzido3.
Recomendação de consumo de carboidratos e lipídeos
De modo geral, a restrição severa de carboidratos não é recomendada durante o tratamento com GLP-1, devido aos riscos associados às mudanças metabólicas que acontecem com esse tipo de dieta1,3.
O consumo deste grupo alimentar deve estar dentro do intervalo de 45 a 65% do valor energético total e os cereais integrais, frutas e vegetais devem sempre ser preferidos e incluídos na dieta3.
Os lipídeos são importantes para diversos processos no organismo, inclusive para auxiliar na absorção das vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K)3.
O consumo de gorduras insaturadas deve ser priorizado (peixes, óleos vegetais e sementes) e o de gorduras saturadas (carnes, laticínios) deve ser limitado3.
Manejo dos sintomas adversos
O tratamento com medicamentos agonistas do GLP-1 está associado com o maior risco de sintomas gastrointestinais adversos, tais como náuseas, vômitos, diarreia, dispepsia e constipação3.
Quem apresenta esses efeitos adversos, associados a uma redução expressiva do apetite ou à perda de peso excessiva, está mais suscetível a complicações nutricionais1,3. Veja abaixo as principais orientações para auxiliar no manejo desses sintomas:
- fazer refeições em volume menor e fracionadas ao longo do dia;
- evitar alimentos ricos em gordura;
- evitar bebidas alcoólicas e/ou com gás;
- garantir uma ingestão hídrica adequada (2 a 3L/dia);
- incluir chá de gengibre e hortelã na rotina;
- consumir fibras conforme tolerância.
Micronutrientes e suplementação
Indivíduos com obesidade apresentam maior risco de desenvolver deficiências de micronutrientes, principalmente de vitamina D, vitamina B12, folato, tiamina, ferro e zinco. Além disso, o consumo insuficiente de cálcio, magnésio, vitamina A, vitamina E e vitamina C também são comumente observados nesta população3.
Por isso, é muito importante tratar deficiências nutricionais pré-existentes e garantir um consumo adequado de micronutrientes durante o tratamento com GLP-1, seja via alimentação ou suplementação, quando necessário3.
Tendo isso em vista, um acompanhamento nutricional individualizado é essencial e a suplementação nutricional de micronutrientes deve ser considerada quando as necessidades não forem atingidas via alimentação3.
A terapia com agonistas de GLP-1 representa uma estratégia eficaz no manejo da obesidade, mas os seus benefícios dependem diretamente de intervenções nutricionais estruturadas.
A adequação proteica, a qualidade da dieta, o monitoramento de micronutrientes e o manejo dos efeitos adversos são pilares fundamentais para garantir perda de peso com preservação de massa magra, segurança e sustentabilidade a longo prazo.
Referências Bibliográficas
[1] Mozaffarian D, Agarwal M, Aggarwal M, Alexander L, Apovian CM, Bindlish S, et al. Nutritional priorities to support GLP-1 therapy for obesity: a joint Advisory from the American College of Lifestyle Medicine, the American Society for Nutrition, the Obesity Medicine Association, and The Obesity Society. The American Journal of Clinical Nutrition [Internet]. 2025 May 30;122(1).
[2] Celletti F, Farrar J, De Regil L. World Health Organization Guideline on the Use and Indications of Glucagon-Like Peptide-1 Therapies for the Treatment of Obesity in Adults. JAMA. 2026;335(5):434–438.
[3] Almandoz JP, Wadden TA, Tewksbury C, Apovian CM, Fitch A, Ard JD, Li Z, Richards J, Butsch WS, Jouravskaya I, Vanderman KS, Neff LM. Nutritional considerations with anti-obesity medications. Obesity (Silver Spring). 2024;32(9):1613-1631. doi:10.1002/oby.24067.
[4] Fitch A, Gigliotti L, Bays HE. Application of nutrition interventions with GLP-1 based therapies: A narrative review of the challenges and solutions. Obesity Pillars. 2025 Aug;100205.
[5] Johnson B, Milstead M, Thomas O, McGlasson T, Green L, Kreider R, Jones R. Investigating nutrient intake during use of glucagon-like peptide-1 receptor agonist: a cross-sectional study. Front Nutr. 2025 Apr 25;12:1566498.
Escrito por
Acervo Grupo Piracanjuba
Texto produzido por fontes especializadas, e publicado pela Piracanjuba com fins informativos.
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