A primeira infância, particularmente o período entre 12 e 36 meses de idade, caracteriza-se por intenso desenvolvimento neurológico, metabólico e comportamental, acompanhado ao final de uma fase de desaceleração relativa da velocidade de crescimento quando comparado aos primeiros dois anos de vida1.
Este cenário resulta em uma redução relativa do apetite, chamada de anorexia fisiológica. A seletividade alimentar também é comum nas crianças desta faixa etária e, somada à redução do apetite, pode gerar um cenário muito desafiador para o acompanhamento nutricional e atingimento das necessidades nutricionais1.
A importância do aporte nutricional na primeira infância
Os primeiros anos de vida são fundamentais para o estabelecimento da saúde infantil. Nessa fase, a nutrição adequada exerce papel central na manutenção do crescimento, na formação de hábitos alimentares saudáveis e na prevenção de deficiências nutricionais e doenças crônicas ao longo de toda a vida1,2.
Garantir a variedade, qualidade e quantidade suficientes dos alimentos são a base para um aporte nutricional adequado, de acordo com as recomendações para cada faixa etária, para a manutenção da saúde e desenvolvimento das crianças.
Recomendação de energia, macronutrientes e fibras
Um consumo calórico e proteico suficiente para as crianças durante os primeiros anos de vida é de extrema importância. Um aporte insuficiente de calorias e proteínas nesta faixa etária pode prejudicar o ganho ponderal, estatural e o crescimento cerebral3.
É importante frisar que a criança possui mecanismos internos de saciedade que determinam a quantidade de alimentos que ela necessita, por isso deve ser permitido que ela controle a sua ingestão1.
Apesar de existirem equações preditivas de recomendação energética para crianças, é importante que haja um acompanhamento da aceitação alimentar, mas sem um controle excessivo em relação às quantidades e calorias consumidas diariamente.
Por isso, a alimentação responsiva, que garante a interação entre os cuidadores e a criança, respeitando os seus sinais de fome e saciedade, é considerada estratégia importante para o desenvolvimento da autorregulação alimentar e para a formação de preferências alimentares saudáveis1.
Apesar de importantes, as proteínas não devem ser consumidas em excesso, uma vez que o consumo elevado pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de sobrepeso e obesidade4. Atualmente, a recomendação de ingestão proteica para esta faixa etária é 1,05 gramas/kg/dia1.
Confira abaixo a distribuição dos macronutrientes em relação à oferta calórica total para crianças de 1 a 3 anos1.
Cálcio e vitamina D
Um consumo adequado de cálcio é essencial para o crescimento e para o atingimento do pico de massa óssea, além de prevenir doenças futuras, como a osteoporose. A vitamina D, por sua vez, atua de forma complementar ao cálcio, garantindo a sua homeostase e absorção intestinal7.
Apesar de sua importância, evidências mostram uma ingestão 60% inferior que a recomendada para cálcio e vitamina D em crianças em idade pré-escolar1, um fator muito alarmante.
Zinco
O zinco também é um mineral importante para o crescimento e desenvolvimento na primeira infância, com grande papel no sistema imunológico e divisão celular8.
Vitamina A
A vitamina A é um micronutriente essencial, sobretudo nos momentos de intenso crescimento e desenvolvimento. Tem grande papel na função visual, imunidade e ação antioxidante9.
A sua suplementação pode ser indicada a depender da região de moradia da criança e após avaliação individual pelo profissional de saúde que a acompanha1.
Confira abaixo a recomendação de cada nutriente para crianças de 1 a 3 anos de idade (DRI):
O planejamento nutricional deve considerar as necessidades energéticas e nutricionais específicas desta fase para promover o crescimento e a saúde ao longo da vida, sendo fundamental o acompanhamento profissional para garantir o melhor desenvolvimento da criança.