O uso de ervas, raízes e outras plantas com propriedades consideradas terapêuticas acompanha a história da saúde humana em diversas sociedades desde a antiguidade1. Com o avanço da ciência, foi possível aprofundar os estudos sobre muitas dessas plantas medicinais, reunindo evidências sobre seus efeitos potenciais para a saúde.
Hoje, a busca por informações sobre o uso de plantas medicinais vem crescendo em diversas partes do mundo como uma forma de complementar a busca pela qualidade de vida e os tratamentos trazidos pela medicina convencional2.
Para o manejo da fadiga, uma das plantas mais utilizadas é o ginseng, descoberto na Ásia e com seu uso medicinal datando mais de 2000 anos1.
Apesar de sua origem asiática, o ginseng também possui uma variedade nativa das Américas e, atualmente, a demanda por suas propriedades vem se popularizando em diversas regiões. A seguir, vamos desvendar com mais detalhes as propriedades atribuídas a esta planta, as evidências cientificas relacionadas e suas indicações de uso!
O que é ginseng?

O ginseng é uma erva medicinal tradicionalmente utilizada na medicina chinesa e que já foi associada a uma série de benefícios à saúde física e mental1-3.
Sua importância para a medicina antiga é demonstrada pelo seu nome, sendo “ginseng” a referência para uma série de plantas do gênero Panax, palavra que deriva de "panaceia", que significa “cura para tudo”1. As duas principais espécies de ginseng são o Panax ginseng C.A. Meyer (ginseng asiático) e o Panax quinquefolius L. (ginseng americano)3.
A forma em pó do ginseng é obtida a partir da secagem e pulverização da raiz da planta, permitindo a sua incorporação em cápsulas, alimentos ou misturas em bebidas1.
Os mecanismos de ação
O ginseng contém compostos bioativos chamados ginsenosídeos, responsáveis pela maioria dos efeitos biológicos atribuídos a esta planta4.
Ele é considerado um adaptógeno, devido a sua capacidade de auxiliar o organismo a se adaptar ao estresse e manter a sua homeostase. Alguns mecanismos envolvidos nesta função incluem a modulação das vias antioxidantes, regulação do metabolismo energético e interação com sinais neuroendócrinos, embora nem todos estejam completamente elucidados em humanos4.
Além dos ginsenosídeos, o ginseng também contém compostos fenólicos, polissacarídeos e outros metabólitos secundários. Essas substâncias estão relacionadas a efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e moduladores de vários sistemas fisiológicos4.
Quais são os benefícios atribuídos ao ginseng?
Existem muitos usos e benefícios descritos na literatura científica para o ginseng, mas os resultados dos estudos ainda são suficientes para a formação de um consenso quanto ao seu uso.
Devido aos seus efeitos antioxidantes e potenciais neuromoduladores, ele se tornou um suplemento popular em doenças neurodegenerativas como Alzheimer, Parkinson, Huntington e isquemia cerebral. Outros usos atribuídos incluem seus efeitos anti-hipertensivos, cardioprotetores e anticancerígenos4.
Confira abaixo os principais benefícios atribuídos ao ginseng:
A fadiga é uma condição muito comum, que pode afetar até 20% da população, reduzindo significativamente a qualidade de vida e a produtividade2.
Resultados de estudos recentes indicam que o ginseng pode ajudar a reduzir os sintomas de fadiga, embora os mecanismos através dos quais esse efeito ocorre ainda não estejam muito claros2,5,6.
De acordo com estudos, o ginseng pode contribuir na modulação do sistema imune, melhorando a resposta imunológica e ajudando a conter infecções virais, bacterianas e fúngicas7,8.
Evidências apontam que o ginseng pode ter impacto no controle glicêmico, por meio da redução dos níveis de glicose em jejum, hemoglobina glicada e resistência à insulina em pacientes com diabetes ou intolerância à glicose9,10. No entanto, os resultados ainda são inconsistentes entre os estudos.
- Melhora da cognição e desempenho mental
O ginseng possui propriedades neuroprotetivas atribuídas aos ginsenosídeos, mas os mecanismos associados a estes efeitos ainda não foram totalmente elucidados11,12.
Algumas pesquisas sugerem que o ginseng pode melhorar a função cognitiva, incluindo o pensamento abstrato, a atenção, as habilidades aritméticas e o tempo de reação em adultos de meia-idade13.
O ginseng tem sido investigado por possíveis efeitos na redução de fatores de risco cardiovasculares, tais como à resistência à insulina, hipertensão e dislipidemia3.
Um estudo de revisão demonstrou que a suplementação com ginseng pode melhorar a função endotelial e reduzir a rigidez arterial, sugerindo um efeito benéfico sobre os parâmetros vasculares e potencial cardioproteção3. Esses efeitos, contudo, ainda precisam ser mais pesquisados.
Cuidados e contraindicações
Embora geralmente considerado seguro em uso a curto prazo, o ginseng pode causar alguns efeitos adversos, tais como insônia, nervosismo, cefaleia, alterações gastrointestinais e hipoglicemia. Também pode interagir com medicamentos anticoagulantes e hipoglicemiantes14.
Uma vez que a insônia é um dos principais efeitos colaterais do ginseng e a prevalência de distúrbios do sono é frequente na população, é válido evitar o uso desta planta em casos em que já existem problemas relacionados ao sono, além de evitar seu uso à noite.
O ginseng também pode interferir na coagulação, por isso, não deve ser utilizado por pacientes no pós-operatório ou com qualquer outra condição que esteja relacionada ao processo de coagulação4.
O seu uso também não é recomendado para crianças, gestantes ou lactantes, devido à falta de evidências que garantam a segurança no uso por este público.
Indicações clínicas e limitações
Ainda não existe um consenso que suporte indicações para suplementação com o ginseng para a definição de doses e tempo de uso.
Portanto, o ginseng em pó é uma forma popular de suplemento que possui indícios potenciais de efeitos benéficos à saúde. No entanto, as evidências permanecem heterogêneas e, para muitas das alegações de saúde amplamente difundidas, faltam estudos científicos robustos e de grande porte. É importante lembrar que mesmo produtos vistos como “naturais” podem apresentar efeitos adversos, por isso, não devem ser utilizados sem indicação profissional.
Assim, a indicação da suplementação com ginseng na prática clínica deve ser feita com muito cuidado e critério, sempre baseada em avaliação crítica das evidências, perfil individual do paciente e possíveis interações medicamentosas.