< Voltar para Conteúdos
04 de novembro, 2026
- Por Acervo Grupo Piracanjuba

Disfagia no idoso: como as dificuldades de deglutição impactam na nutrição do idoso

O envelhecimento é marcado por diversas alterações fisiológicas, inclusive na mastigação. Saiba mais sobre este assunto e como preveni-lo nesta matéria!
Compartilhe
Disfagia no idoso: como as dificuldades de deglutição impactam na nutrição do idoso
A disfagia é uma condição frequente na população idosa e de alta relevância clínica, uma vez que o seu impacto vai além da capacidade de engolir. Ela está associada a diversos desfechos adversos, tais como desidratação, sarcopenia, desnutrição, piora funcional, pneumonia aspirativa, hospitalização e aumento de mortalidade nesta população1,2.  
A prevalência desta condição é significativa: 10% a 33% em idosos com mais de 60 anos e 50% em idosos institucionalizados1, o que aumenta ainda mais a relevância deste tema e a necessidade de cuidados específicos para esta população. 
Entenda mais a seguir sobre como as dificuldades de deglutição podem impactar a saúde e a nutrição do idoso, assim como a importância do acompanhamento nutricional. 

O que é a disfagia? 

A disfagia é definida como uma alteração da deglutição caracterizada pela dificuldade ou comprometimento do transporte seguro e eficiente de alimentos, líquidos ou saliva da cavidade oral até o estômago.3. 
Esta alteração pode ser aguda ou crônica, intermitente ou persistente. Além disso, ela pode ser classificada em duas categorias principais, com base na localização da dificuldade de deglutição: orofaríngea ou esofágica3.
A disfagia orofaríngea é uma condição geriátrica muito comum e que merece grande atenção. Ela pode duplicar o risco de pneumonia e desnutrição, além de triplicar o risco de mortalidade em idosos4. 
Por isso, as diretrizes da European Society for Clinical Nutrition and Metabolism reforçam que a identificação precoce e o manejo multidisciplinar são essenciais para preservar o estado nutricional e a qualidade de vida de idosos com disfagia5. 

Quais as suas causas e por que é comum no envelhecimento? 

O processo de envelhecimento leva a alterações anatômicas e funcionais em todo o organismo, inclusive no mecanismo da deglutição. As alterações fisiológicas da deglutição relacionadas ao envelhecimento são denominadas presbifagia.2. 
Estudos atuais identificaram alguns fatores de risco relacionados à disfagia. Entre eles, destacam-se: desnutrição, perda de peso não intencional, saúde bucal precária, fragilidade oral, desidratação e baixa ingestão de líquidos, comprometimento cognitivo, dependência funcional, fragilidade física e perda de força muscular1. 
De modo geral, além da presbifagia, a dificuldade de deglutição em idosos também pode ser causada por doenças neurológicas, demências, fragilidade, sarcopenia e uso de medicamentos5. 

O impacto da disfagia na ingestão alimentar e no estado nutricional 

A perda da eficiência funcional da mastigação e deglutição no envelhecimento pode levar à redução do consumo de alguns tipos de alimentos e ao comprometimento da ingestão energética e proteica. Muitos idosos passam a evitar alimentos de textura mais resistente à mordida e/ou difíceis de serem deglutidos, como carnes, frutas fibrosas e vegetais crus, limitando a variedade e densidade nutricional da dieta. Dependendo do tipo de disfagia, também podem apresentar dificuldade para ingerir comprimidos e líquidos finos6,7.  
Este cenário pode levar à preferência por alimentos mais pastosos ou líquidos e, quando não há acompanhamento nutricional adequado, pode haver redução significativa da densidade proteica da dieta, deficiência de micronutrientes e prejuízo ao estado nutricional2,6. 
Portanto, a relação entre disfagia e desnutrição pode ser considerada bidirecional: a disfagia favorece a desnutrição, e a desnutrição agrava a fraqueza muscular envolvida na deglutição2. 
Além disso, é importante mencionar que os idosos disfágicos apresentam um grande risco de desidratação, devido à baixa ingestão de líquidos, especialmente quando há baixa aceitação dos líquidos espessados utilizados para tornar a deglutição mais segura 5. 

Abordagem nutricional - a importância da suplementação

É sabido que os problemas de mastigação e de deglutição limitam a capacidade de ingerir alimentos com textura normal e, portanto, aumentam o risco de desnutrição5. 
Apesar da modificação da consistência dos alimentos tornar o processo de deglutição mais lento e seguro, essas dietas, quando não adequadamente planejadas e enriquecidas, podem resultar em aporte insuficiente de energia, proteínas e alguns micronutrientes 5, o que chama a atenção para um cuidado nutricional especializado. 
Sendo assim, recomenda-se que idosos com desnutrição ou em risco de desnutrição associado a sinais de disfagia recebam alimentos com textura modificada enriquecidos, como estratégia compensatória para promover uma ingestão alimentar adequada5. 
Uma vez feita a triagem e avaliação nutricional, as diretrizes atuais recomendam que os suplementos sejam considerados para garantir adequação de energia, proteína e micronutrientes, especialmente em idosos com ingestão insuficiente5. 

Desta forma, a suplementação nutricional pode ser uma estratégia eficaz para: 

  • aumentar a densidade nutricional dos alimentos em consistência modificada; 
  • atingir necessidades proteicas, ponto fundamental para a prevenção de sarcopenia; 
  • garantir aporte adequado de micronutrientes cuja ingestão pode estar comprometida, como cálcio e vitamina D, quando necessário. 
  • melhorar o estado nutricional e funcionalidade. 

A disfagia no idoso é uma condição de grande impacto nutricional e funcional. A abordagem precoce, individualizada e multiprofissional, com integração entre terapia de deglutição e cuidado nutricional, é fundamental para preservar a saúde, qualidade de vida e desfechos clínicos desta população.
Referências Bibliográficas
[1] Leira J, Maseda A, Lorenzo-López L, Cibeira N, López-López R, Lodeiro L, et al. Dysphagia and its association with other health-related risk factors in institutionalized older people: A systematic review. Archives of Gerontology and Geriatrics. 2023 Mar 7;110:104991. 
[2] Javorszky SM, Palli C, Domkar S, Bernhard Iglseder. Combined systematic screening for malnutrition and dysphagia in hospitalized older adults: a scoping review. BMC geriatrics. 2024 May 21;24(1).
[3] Azer SA, Kanugula AK, Kshirsagar RK. Disfagia. [Atualizado em 18 de novembro de 2023]. Em: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026.  
[4] Volkert D, Delzenne N, Demirkan K, Schneider S, et al. Nutrition for the older adult – current concepts. Report from an ESPEN symposium. Clinical nutrition. 2024 Jun 1;43(8).
[5] Volkert D, Beck AM, Cederholm T, Cruz-Jentoft A, Hooper L, Kiesswetter E, et al. ESPEN practical guideline: Clinical nutrition and hydration in geriatrics. Clinical Nutrition [Internet]. 2022 Apr;41(4):958–89.
[6] Medeiros AMM, Araújo RCP, Borges AFM, Sousa SES, Araujo CM, Magalhães Junior HV, Cavalcanti RVA, Taveira KVM. Relationship between mastication and malnutrition in community-dwelling older adults: a meta-analysis. Codas. 2024 May 31;36(4):e20230209. 
[7] Wu X, Xu Y, Liu Y, Ma A, Zhong F, Gao T, Cai J, Chen Y, Wang Y, Zhou W, Ma Y. Relationships between oral function, dietary intake and nutritional status in older adults aged 75 years and above: a cross-sectional study. BMC Public Health. 2024 May 31;24(1):1465.

Compartilhe

Logotipo Acervo de Conteúdos Piracanjuba Health & Nutrition.
Escrito por
Acervo Grupo Piracanjuba
Texto produzido por fontes especializadas, e publicado pela Piracanjuba com fins informativos.

Faça o download em PDF do artigo

Acesse nossos conteúdos científicos

“O MINISTÉRIO DA SAÚDE INFORMA: APÓS OS 6 (SEIS) MESES DE IDADE, CONTINUE AMAMENTANDO SEU FILHO E OFEREÇA NOVOS ALIMENTOS.”

"O MINISTÉRIO DA SAÚDE INFORMA: O ALEITAMENTO MATERNO EVITA INFECÇÕES E ALERGIAS E É RECOMENDADO ATÉ OS 2 (DOIS) ANOS OU MAIS.”