Um ano novo se inicia e, com ele, muitas mudanças, início de novos hábitos e promessas. Entre elas, a perda de peso é um objetivo que ganha destaque, mas é preciso ter cuidado ao avaliar como o emagrecimento será conduzido.
Uma perda de peso muito rápida pode levar a sérios prejuízos à saúde, principalmente devido à prática de dietas restritivas1. Entenda como reconhecer estas práticas e orientar estratégias para uma perda de peso saudável.
Dietas restritivas e os impactos na saúde
Uma alimentação saudável deve ser harmônica em quantidade e qualidade, atendendo aos princípios de variedade, equilíbrio, moderação e prazer2. As dietas restritivas, ou dietas da moda, dificilmente levam estas questões em consideração.
As dietas muito restritivas são medidas extremas para quem deseja perder peso de forma rápida, porém, geralmente, são excluídos grupos alimentares ou nutrientes muito importantes, como os carboidratos e as gorduras. Essa exclusão torna muito difícil a manutenção da nova rotina alimentar em longo prazo e leva facilmente ao reganho de peso: de acordo com o Ministério da Saúde, 75% das pessoas que realizaram dieta restrita com exclusão dos carboidratos retornaram ao peso anterior3.
A “mentalidade de dieta” e a prática de restrições alimentares com o objetivo de perder peso são comportamentos que podem ser prejudiciais à saúde, além de não promoverem uma perda de peso sustentável4.
Esse contexto pode levar ao “comer transtornado”, com a prática de comportamentos alimentares disfuncionais em relação à comida e ao corpo (prática de dietas/restrição alimentares, preocupação excessiva com os alimentos consumidos, pular refeições, etc), podendo até mesmo evoluir para um transtorno alimentar5.
Além disso, a prática de dietas restritivas, com a adoção de medidas não saudáveis para perda de peso, geralmente estão associadas a um aporte nutricional insuficiente4.
A importância da prevenção
Uma vez que muitos estudos sugerem que o “comer transtornado” costuma estar presente já na adolescência e que esse comportamento pode continuar até a vida adulta, bem como progredir para um transtorno alimentar, a prevenção é essencial4.
A alta prevalência de problemas relacionados ao peso e à alimentação na infância e adolescência é de grande preocupação, principalmente devido a ser um período de intenso crescimento e desenvolvimento6.
Então, avaliar os hábitos alimentares, assim como as práticas não saudáveis para perda de peso nessa faixa etária é de suma importância para prevenir repercussões no futuro.
Orientações e estratégias para um emagrecimento saudável
Diante deste cenário, a orientação e adoção de estratégias que buscam incentivar um emagrecimento saudável, focado na adoção de hábitos e comportamentos alimentares saudáveis e sustentáveis, são muito relevantes na prática clínica.
Para pacientes que precisam emagrecer, é sempre válido orientar que:
1 - Não existe dieta milagrosa;
2 - As mudanças de hábitos devem ocorrer gradualmente e de forma sustentável;
3 - Dietas restritivas que excluem grupos alimentares podem levar ao déficit de nutrientes, além de prejudicar a saúde;
4 - O reganho de peso é frequente após a realização de dietas restritivas.
É fundamental estimular comportamentos alimentares que estejam alinhados com o que atualmente é considerado saudável, levando em consideração os aspectos culturais e sociais de cada indivíduo.
Entre as orientações para uma alimentação saudável, destacam-se2:
- A alimentação é mais que a ingestão de nutrientes.
É claro que é importante garantir um bom aporte nutricional diário, mas é válido sempre reforçar com o paciente que a alimentação deve levar em considerações hábitos culturais e sociais, assim como proporcionar momentos de prazer.
- Preferir alimentos in natura ou minimamente processados para estruturar a maior parte da alimentação
Fazer de alimentos in natura a base da alimentação é um pilar muito importante, principalmente atualmente, com a rotina corrida e alto consumo de alimentos pouco saudáveis. É necessário orientar o consumo diário de frutas, verduras, legumes, cereais, tubérculos, feijões, leite e derivados, carnes, oleaginosas, ovos, etc, de modo garantir variedade e uma alimentação balanceada.
- Comer com regularidade e atenção, em ambientes adequados.
No contexto de comportamento alimentar, as estratégias de “mindful eating” e o comer intuitivo são extremamente relevantes, uma vez que tem como objetivo proporcionar mudanças sustentáveis de comportamento alimentar, reduzindo o “comer transtornado” e melhorando a relação com a comida7.
Ambas as práticas são consideradas importantes para a abordagem comportamental do paciente e podem ser complementares. Enquanto no comer intuitivo os objetivos são melhorar a percepção corporal e respeitar os sinais internos de fome e saciedade, normalizando a relação com a comida, no “mindful eating” o objetivo é ter atenção e o foco na experiência do comer7.
Portanto, alertar quanto aos malefícios das dietas extremamente restritivas, assim como promover hábitos alimentares saudáveis e sustentáveis são condutas importantes a serem tomadas na prática clínica. Isso garante a construção de bons hábitos e bom relacionamento com a comida em longo prazo, afastando o paciente de comportamentos nocivos que podem ser prejudiciais à saúde.