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Veja como está o aleitamento materno e a nutrição infantil no Brasil, conforme o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil, pesquisa científica inédita realizada em todas as regiões do país. Ele avalia práticas de aleitamento materno, consumo alimentar, estado nutricional e deficiência de micronutrientes em crianças com menos de cinco anos. ¹
O estudo feito em 2019 e publicado em 2021 é coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz, a Universidade Federal Fluminense e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Conta com a parceria de universidades e instituições públicas de todo o Brasil, para avaliar crianças de todas as regiões da área urbana e rural.
A prevalência de crianças menores de 2 anos, alguma vez amamentada, foi de 96,2% no Brasil. A maior prevalência foi observada na região Norte (98,0%) e as menores, nas regiões Sul (94,7%) e Sudeste (94,8%).
Em relação ao aleitamento na primeira hora de vida, a região Norte também teve a maior prevalência com 73,5% contra a média do Brasil de 62,4%.
A prevalência de aleitamento materno exclusivo, entre crianças menores de 4 meses, foi de apenas 59,7%, no Brasil. O número cai para 45,8%, em menores de 6 meses, sendo que foi verificado que entre 4 e 5 meses, apenas 23,3%, em média, recebiam aleitamento materno exclusivo. A prevalência foi maior em áreas urbanas e crianças da região Sul, sendo de 41,8% contra apenas 12,9% no Nordeste.
O aleitamento materno continuado é aquele que permanece após o bebê completar um ano. A recomendação internacional de aleitamento materno é de dois anos ou mais, devendo ser exclusivo até os 6 meses. A partir dessa faixa etária, deverá ser complementado com a alimentação. Porém, não existe um limite máximo de tempo estabelecido para a criança amamentar. ²
A prevalência média para o aleitamento materno continuado no Brasil é de 43,6%. O número de crianças amamentadas no segundo ano de vida foi maior no Nordeste do que no Sul.
O aleitamento materno cruzado, que é quando a mãe amamenta outras crianças, é contraindicado pelo Ministério da Saúde. Mesmo assim, cerca de 20% tem essa prática. O estudo também aponta que mais da metade das crianças brasileiras usaram mamadeira, indicando a necessidade de orientação quanto ao uso do copinho quando não for possível a amamentação no peito.
As mamadeiras e chuquinhas confundem o bebê porque são totalmente diferentes da forma de sugar bicos artificiais. Por isso, são contraindicadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria, pois há grande risco de desmame por recusa do seio pelo bebê. ³
A doação de leite humano para bancos foi baixa no Brasil em 2019, trazendo um alerta. O estudo destaca a importância de ações, políticas e programas de proteção e apoio ao aleitamento materno.
Prevalência de anemia
Foi verificado que, no Brasil, 10% das crianças de 6 meses a 5 anos tem anemia, visto que o Norte apresenta o maior número (17%). Quando se analisa por faixa etária, dividindo as crianças entre 6 meses a 1 ano e 2 a 5 anos, nota-se que a prevalência é maior nos mais novos. Tal fato representa um problema de saúde pública leve.
A anemia pode ter várias causas. Quando se fala em anemia ferropriva, que acontece por falta de ferro, a prevalência no Brasil foi de 3,5%.
Prevalência de deficiência de vitamina A
A deficiência de vitamina A foi de 6%, apresentando-se maior do que a falta de ferro. Representa um problema de saúde pública leve no Brasil. No Centro-Oeste, a carência de vitamina A chegou a 11,5% em crianças de 6 meses a 1 ano e 11 meses, sendo um problema moderado, que merece ainda mais atenção.
Prevalência de deficiência de vitamina B12
A prevalência de deficiência de B12 em crianças é maior nas famílias mais pobres e entre as crianças pretas e pardas. Ocorreu em 28,5% das crianças do Norte. Não existe um parâmetro, no entanto, a vitamina B12 é um nutriente essencial que não pode faltar. É importantíssimo para a nutrição infantil por conta do seu papel na formação do sistema nervoso e desenvolvimento cognitivo.⁴
Prevalência de deficiência de zinco
A deficiência de zinco esteve presente em 17,8% das crianças brasileiras, mas não representa um problema de saúde pública. A exceção é o Sudeste, que apresenta um pouco mais de 20%.
Insuficiência de vitamina D em crianças
A insuficiência de vitamina D foi mais prevalente em crianças brancas, de 24 a 59 meses, no Sul e Sudeste. Não foi considerada um problema de saúde pública no Brasil, contudo, não existe um parâmetro da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em relação ao aleitamento materno, houve avanço quando comparado ao estudo de 2006. Porém, os dados ainda mostram que estamos muito aquém das metas para 2030, propostas pela OMS. Especialmente para os indicadores de aleitamento materno exclusivo e aleitamento materno continuado no segundo ano de vida, com meta de 70% e 60%, respectivamente. ⁵
Em relação ao estado nutricional das crianças brasileiras, existe a deficiência de micronutrientes, que representa problema de saúde pública. Isto corrobora com a insegurança alimentar que aumenta no país, onde 9% passam por situação de fome. ⁶
O uso de alimentos fortificados, bem como alimentos ricos em vitaminas e minerais, é uma boa estratégia para combater as deficiências no Brasil. O uso de suplementos quando necessário/recomendado também complementa as estratégias.
1. SILVA, Antônio Augusto Moura da. Aspectos metodológicos do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI - 2019). 2021.
2. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO. Aleitamento materno: Prevalência e práticas de aleitamento materno em crianças brasileiras menores de 2 anos 4: ENANI 2019. - Documento eletrônico. - Rio de Janeiro, RJ: UFRJ, 2021. (108 p.). Coordenador geral, Gilberto Kac. Disponível em: https://enani.nutricao.ufrj.br/index.php/relatorios/. Acesso em: 30/11/2021
3. SBP - Sociedade Brasileira de Pediatria. Saiba como usar o copinho na alimentação de bebês em Aleitamento Materno. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2012/12/Saiba-como-usar-o-copinho-na-alimentao-de-bebs-em-Aleitamento-Materno.pdf
4. Monografia - Excellence.
5. GRUMMER‐STRAWN, Laurence M. et al. New World Health Organization guidance helps protect breastfeeding as a human right. Maternal & child nutrition, v. 13, n. 4, p. e12491, 2017.
6. PENSSAN, Rede. Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. Rio de Janeiro: Rede Penssan, 2021.
“O MINISTÉRIO DA SAÚDE INFORMA: APÓS OS 6 (SEIS) MESES DE IDADE, CONTINUE AMAMENTANDO SEU FILHO E OFEREÇA NOVOS ALIMENTOS.”
"O MINISTÉRIO DA SAÚDE INFORMA: O ALEITAMENTO MATERNO EVITA INFECÇÕES E ALERGIAS E É RECOMENDADO ATÉ OS 2 (DOIS) ANOS OU MAIS.”