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29 de julho, 2022

Aspectos gerais do sistema imunológico e suas funções – Parte 2

Saiba mais sobre o desenvolvimento do sistema imune
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Aspectos gerais do sistema imunológico e suas funções – Parte 2

O sistema imune humano começa seu desenvolvimento ainda na fase uterina e continua amadurecendo no período pós-natal (primeiras seis semanas após o nascimento), criando assim, uma microbiota.

É no trato intestinal do mamífero que se concentra, majoritariamente, a microbiota humana, chamada de microbiota intestinal. Por esse motivo, a dieta do indivíduo influencia, significativamente, no sistema imune.

Desenvolvimento do sistema imune

O sistema imunológico humano começa a se desenvolver ainda na vida intrauterina, quando os leucócitos entram em contato com antígenos próprios para reconhecimento. Seu amadurecimento é finalizado após o nascimento.1,2

O ambiente intrauterino é um importante determinante da imunidade para a vida fora do útero, visto que, um desenvolvimento imunológico pré-natal alterado pode resultar em um alto risco pós-natal de infecções, doenças imunológicas crônicas e doenças autoimunes.²

Os anticorpos maternos transferidos pela placenta contribuem para a defesa precoce contra organismos patogênicos em neonatos. Porém, essa proteção passiva tem vida curta e se deteriora quando a criança atinge os 6 meses de idade.3 O sistema imunológico dos recém-nascidos, portanto, é um sistema em desenvolvimento. Eles vivem, inicialmente, em um ambiente estéril semi-alogênico e, depois, são expostos a um local rico em micróbios fora do útero. O desenvolvimento e a maturação do sistema imune têm a participação da microbiota endógena (bactérias, fungos, protozoários e vírus que habitam diferentes nichos do nosso organismo).1,4,5

Microbiota intestinal

O trato intestinal dos mamíferos é colonizado por muitos microrganismos, incluindo trilhões de bactérias, onde também se encontram 70 a 80% das células imunológicas, sendo esses organismos referidos como microbiota intestinal.1,6

Milhões de anos de coevolução entre o hospedeiro e os micróbios levaram a uma atividade mútua de simbiose, em que a microbiota contribuiu para muitos processos fisiológicos do hospedeiro, neste caso, o humano. O hospedeiro, por sua vez, fornece um ambiente nutritivo e hospitaleiro aos micróbios.

Além de benefícios metabólicos, a microbiota fornece ao hospedeiro várias funções que promovem a barreira epitelial intestinal, homeostase imunológica, respostas imunológicas ideais e proteção contra a colonização de patógenos.6

Influência da dieta na microbiota intestinal

A composição da dieta influencia a quantidade relativa de espécies da microbiota intestinal. Dados recentes revelam que os efeitos dietéticos sobre a microbiota intestinal podem ocorrer rapidamente, e que esta reflete nossa dieta a qualquer momento, mesmo que haja muita variação interindividual.7

Embora a maioria dos estudos sobre os efeitos dos macronutrientes dietéticos na microbiota intestinal relatem associações com mudanças relativas sob abundância de determinadas espécies de bactérias, em termos gerais, nossas dietas ocidentais baseadas em animais são relativamente ricas em gorduras e proteínas e empobrecidas em fibras. Isso cria uma tempestade perfeita dentro do intestino em que a disbiose, ou seja, o desequilíbrio da flora intestinal, promove inflamação localizada, um prenúncio de disfunção metabólica e o desenvolvimento de doenças crônicas muito presentes nos dias atuais, como diabetes, obesidade, câncer e diversas outras consequências.7

Referências Bibliográficas

1. WAITZBERG, Dan Linetzky. Monografia Immunoday. Piracanjuba Health & Nutrition, 2021.

2. ZAZARA, Dimitra E.; ARCK, Petra Clara Arck. Developmental origin and sex-specific risk for infections and immune diseases later in life. Semin Immunopathol, v. 41, p. 137 – 151, 2019. Avaiable at: http://website60s.com/upload/files/seminars-in-immunopathology-vol-41-iss-2-2.pdf

3. BASHA, Saleem; SURENDRAN, Naveen; PICHICHERO, Michael. Immune Responses in Neonates. Expert Rev Clin Immunol., v. 10, n. 9, p. 1171–1184, sep. 2014. Avaiable at: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4407563/

4. TSAFARAS, George P.; NTONTSI, Polyxeni; XANTHOU, Georgina. Advantages and limitations of the neonatal immune system. Frontiers in Pediatrics, v. 8, n. 5, p. 1 -10, jan. 2020. Avaiable at: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6997472/

5. YU, Jack C., et al. Innate immunity of neonats and infants. Frontiers in Pediatrics, v. 9, n. 1759, p. 1 – 12, jul. 2018. Avaiable at: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6077196/

6. PICKARD, Joseph M.; et. al. Gut Microbiota: Role in Pathogen Colonization, Immune Responses and Inflammatory Disease. Immunol Rev, v. 279, n. 1, p. 70 – 89, sep. 2018. Avaiable at: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/imr.12567?sid=nlm%3Apubmed

7. BARBER, Thomas M.; et. al. Dietary Influences on the Microbiota–Gut–Brain Axis. Int. J. Mol. Sci, v. 22, n. 3502, p. 1 – 18, 2021. Avaiable at: https://www.mdpi.com/1422-0067/22/7/3502


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