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Entender como deve ser a alimentação pós-Covid-19 é fundamental para que nutricionistas e profissionais de saúde possam contribuir para a qualidade de vida e a saúde da população. Entenda algumas estratégias nutricionais a serem adotadas a partir de agora.
Nomeada de Covid-19, a doença causada pelo vírus SARS-CoV-2 atinge as respostas do sistema imunológico, levando a um enfraquecimento desse e a respostas inflamatórias descontroladas em pacientes graves e críticos com Covid-19.¹ ,²
A Covid-19 já causou mais de 608 mil mortes no país e 21,8 milhões de brasileiros se curaram do vírus. Todavia, tanto o adoecimento como o agravamento da doença podem gerar sequelas que afetam a qualidade de vida dos pacientes mesmo após a cura da doença. A perda do paladar e olfato, por exemplo, é relatada em estudos. Mesmo após a diminuição dos sintomas respiratórios, essas sequelas podem permanecer por meses após a recuperação. ³,⁴
Outros resquícios da doença podem persistir por até dois meses após a Covid-19, sendo os sintomas mais comuns: fadiga (53,1%), dispneia (43,4%), dor nas articulações, (27,3%) e dor no peito (21,7%), além de tosse. Logo, diversas estratégias nutricionais podem ser adotadas para minimizar os efeitos e fortalecer a saúde.⁵
A qualidade de vida não é definida somente por meio da valorização de parâmetros relacionados a sintomas, mas também por fatores pessoais e sociais, bem como por medidas de incapacidade e bem-estar psicológico.⁴
Quando se analisou a qualidade de vida dos profissionais de saúde pós-Covid-19, o quesito mais comprometido foi o meio ambiente, seguido pelo psicológico. O primeiro está relacionado aos recursos financeiros, ambiente do lar, ambiente físico e de lazer. Enquanto isso, o físico ligado a desconforto, dor, energia e mobilidade foi o menos comprometido.
A insegurança alimentar e a fome dos brasileiros pioraram por conta da pandemia. Isso exige uma compreensão detalhada sobre a extensão dos prejuízos nutricionais e sobre a magnitude das consequências desse problema por parte dos profissionais de saúde. Com isso, a alimentação pós-Covid-19 tem a função de reduzir os impactos negativos da doença, voltando a atenção à saúde e à nutrição dos mais vulneráveis.⁶
Com a baixa ingestão de micronutrientes, como Ferro, Cálcio, Vitamina A e Vitamina D, as doenças carenciais conhecidas como “fome oculta”, que acontecem desde o século passado, permanecem sendo importantes problemas nutricionais no país. Essa condição traz sérias implicações para a saúde, prejudicando o desenvolvimento físico e cognitivo, com efeitos diretos na qualidade de vida das pessoas.⁶
Entre os diversos sintomas e sequelas apresentados por pessoas após a recuperação de Covid-19 estão: tosse, queda de cabelo, perda de olfato e paladar. Para manter a qualidade de vida do paciente - preservando sua saúde - algumas táticas nutricionais podem ser adotadas. Além disso, destaca-se a importância da resiliência para adaptação face às adversidades.⁷. Veja a seguir algumas estratégias:
Perda de paladar e olfato
A perda do paladar em pessoas infectadas pelo coronavírus ocorre por uma intensa inflamação no bulbo olfatório. Esse processo resulta na destruição de células de sustentação e das células basais, gerando perda do olfato. Consequentemente, é gerada também a perda do paladar.
Em média, o olfato é recuperado após 14 dias dos primeiros sintomas ⁸. Porém, cerca de 3% dos pacientes não recuperam esse sentido devido à perda olfatória definitiva por destruição dos neurônios. Nesse caso, a pessoa com essa nova condição precisa receber orientações de medidas de segurança, uma vez que necessita saber identificar vazamentos de gás, incêndios e alimentos estragados, por exemplo.⁸
Entre as alternativas de tratamento para a perda de olfato e paladar, a principal delas é o treinamento olfativo. Consiste em estimular o olfato com alguns alimentos aromáticos, como: café, mel, baunilha, cravo, vinagre, limão, cacau, e até pasta dental sabor menta.⁸
O paciente deve cheirar cada ingrediente por 15 segundos, dando intervalos de 10 segundos entre cada amostra. O treinamento deve ser repetido duas vezes ao dia.⁸
Vitamina D e baixa exposição solar
Por conta dos benefícios da Vitamina D no organismo, a exposição à luz solar é fundamental, já que é a principal responsável pela síntese desse pró-hormônio. A vitamina D, associada ao paratormônio (PTH), atua como importante regulador do metabolismo ósseo e é essencial para o sistema muscular e imunológico. Por esse motivo, é imprescindível para manter a qualidade de vida na idade adulta e, principalmente, nos 50+.⁹
Durante o isolamento social, ainda mais se tratando da população idosa por alterações anatomofisiológicas, as saídas de casa foram limitadas, deixando de lado, muitas vezes, a exposição solar. Portanto, é recomendável que o nutricionista ou médico oriente e recomende a suplementação de Vitamina D e/ou alimentos fortificados, quando necessário.⁹
Saúde cardiovascular
A saúde cardiovascular da população também teve um impacto substancial durante a pandemia de Covid-19. O acesso e consumo de alimentos e bebidas, incluindo álcool, foi modificado.
Os efeitos dos períodos de sedentarismo, combinados com o aumento da depressão e ansiedade, são bem documentados em situações semelhantes, assim como o consumo de alimentos e bebidas com alto teor de gordura, de açúcar e de sódio, o que contribuiu para o ganho de peso. Quase um terço dos entrevistados em pesquisa relataram ganho de peso desde o início do confinamento.¹⁰
O uso inadequado de bebidas alcoólicas é um fator de risco significativo para doenças cardiovasculares e mortalidade prematura. O tédio, estresse e medo causados pela pandemia podem ser algumas das muitas razões pelas quais a ingestão de álcool aumentou desde o surto de Covid-19. ¹⁰
O consumo alterado de alimentos e bebidas, associado com inatividade física, pode provocar dislipidemia e alteração na pressão arterial. Entre aqueles já vulneráveis, como os idosos, o ganho de peso não intencional e a perda muscular também são preocupações reais. Portanto, entre as estratégias nutricionais pós-Covid-19 é preciso pensar na preservação da saúde cardiovascular. ¹⁰
Recomendações nutricionais para saúde cardiovascular pós-Covid-19:
Além dessas recomendações, a dieta pós-Covid-19 deve ser personalizada atendendo às necessidades nutricionais específicas de cada indivíduo e considerando outras patologias de base.
1. YANG, Li et al. COVID-19: immunopathogenesis and Immunotherapeutics. Signal transduction and targeted therapy, v. 5, n. 1, p. 1-8, 2020.
2. LIMA JUNIOR, L. C. . ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E EXERCÍCIOS FÍSICOS EM MEIO À PANDEMIA DA COVID-19. Boletim de Conjuntura (BOCA), Boa Vista, v. 3, n. 9, p. 33-41, 2020.
3. Consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Acesso em: 04.nov.2021
4. PIRES, Bruna Maiara Ferreira Barreto et al. QUALIDADE DE VIDA DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE PÓS-COVID-19: UM ESTUDO TRANSVERSAL. Cogitare Enfermagem, v. 26, 2021.
5. CARFÌ, Angelo et al. Persistent symptoms in patients after acute COVID-19. Jama, v. 324, n. 6, p. 603-605, 2020.
6. RIBEIRO-SILVA, Rita de Cássia et al. Implicações da pandemia COVID-19 para a segurança alimentar e nutricional no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 25, p. 3421-3430, 2020.
7. MONTEIRO, Marlene Azevedo Magalhães; HENRIQUES, Gilberto Simeone; GARCIA, Maria Aparecida Vieira Teixeira. Organização e Gestão do Setor de Alimentação Coletiva no Pós-Covid-19: Desafios e Perspectivas. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 10, p. 97134-97158, 2021.
8. BAKARY, Leticia Caiaffa et al. Cerca de 3% de pacientes não recuperam olfato após Covid-19. 2021.
9. SILVA, Marcos Vinicius Sousa et al. O impacto do isolamento social na qualidade de vida dos idosos durante a pandemia por COVID-19. 2020.
10. BUTLER, Tom et al. Joint BACPR/BDA/PHNSG statement on nutrition and cardiovascular health post-COVID-19 pandemic. Br. J. Cardiol, v. 27, p. 79, 2020.
11. FAO. Fruit and vegetables–your dietary essentials. The International Year of Fruits and Vegetables, 2021, background paper, 2020.
12. BARROSO, Weimar Kunz Sebba et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial - 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 116, p. 516-658, 2021.
13. VAN DER LINDEN, D. NUTRITIONAL GUIDANCE DURING RECOVERY FROM COVID-19. 2020.
14. ZHANG, Jian et al. Dietary behaviors in the post-lockdown period and its effects on dietary diversity: the second stage of a nutrition survey in a longitudinal Chinese study in the COVID-19 era. Nutrients, v. 12, n. 11, p. 3269, 2020.
“O MINISTÉRIO DA SAÚDE INFORMA: APÓS OS 6 (SEIS) MESES DE IDADE, CONTINUE AMAMENTANDO SEU FILHO E OFEREÇA NOVOS ALIMENTOS.”
"O MINISTÉRIO DA SAÚDE INFORMA: O ALEITAMENTO MATERNO EVITA INFECÇÕES E ALERGIAS E É RECOMENDADO ATÉ OS 2 (DOIS) ANOS OU MAIS.”