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28 de outubro, 2026
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Por Acervo Grupo Piracanjuba
Alimentação para pessoas com diabetes: cuidados gerais
O cuidado nutricional é parte fundamental do tratamento da pessoa com diabetes. Entenda quais os principais nutrientes de atenção nesse processo!
Um dos pilares fundamentais no tratamento do diabetes mellitus (DM) está no cuidado nutricional e na organização da alimentação do paciente.
As decisões alimentares impactam a resposta pós-prandial e influenciam a resposta insulínica, que atua diretamente nos níveis glicêmicos, acarretando possíveis desfechos clínicos, como hiper e hipoglicemia e, a longo prazo, na preservação da função das células beta pancreáticas1.
Dessa forma, compreender as diferenças entre os tipos de diabetes é essencial para orientar escolhas alimentares mais adequadas. Embora o controle da glicemia seja um objetivo comum, o Diabetes tipo 1 e o Diabetes tipo 2 apresentam características distintas. Por isso, é importante diferenciar essas duas condições para compreender melhor suas especificidades no cuidado nutricional.
Diabetes tipo 1 vs Diabetes tipo 2
Embora a hiperglicemia seja uma situação comum tanto no diabetes tipo 1 quanto no diabetes tipo 2, as intervenções nutricionais devem considerar as especificidades da fisiopatologia da doença. Veja as principais características a seguir2:
- diabetes tipo 1 (DM1): caracteriza-se pela destruição das células beta pancreáticas, levando à deficiência de insulina. Neste caso a intervenção nutricional tem grande foco na carga glicêmica da dieta e manejo conjunto ao uso da insulina.
- diabetes tipo 2 (DM2): envolve uma combinação de resistência periférica à insulina, associada à falência progressiva da secreção insulínica. Neste caso, a abordagem visa a preservação das células beta pancreáticas e reeducação alimentar com intervenções que melhorem a sensibilidade insulínica.
Cuidados nutricionais e manejo glicêmico
A terapia nutricional é parte integrada do tratamento do pré-diabetes e do diabetes em todas as suas fases, com impacto decisivo no controle glicêmico. Confira a seguir os principais objetivos do cuidado nutricional1,3,4 e as características do plano alimentar:
- atender às necessidades nutricionais específicas da doença;
- atingir as metas glicêmicas;
- manter o peso saudável;
- controlar avanço de comorbidades como alteração da pressão arterial;
- prevenir complicações cardiovasculares.
Características do plano alimentar: orientações gerais
O plano alimentar deve ser individualizado e levar em consideração a situação de saúde em que a pessoa com diabetes se encontra.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a dieta deve ser balanceada, com atenção especial ao consumo de carboidrato simples, de rápida absorção1.Estudos recentes apresentam resultados positivos na adesão da dieta mediterrânea no controle glicêmico em indivíduos com DM21.
Carboidratos
A alimentação deve priorizar carboidratos complexos e fontes alimentares de baixo índice glicêmico.
A SBD recomenda considerar a análise do índice glicêmico e da carga glicêmica, especialmente quando os alimentos são consumidos de forma isolada. Ainda, em casos específicos, a redução de carboidratos da dieta pode ser considerada como estratégia para melhora do controle glicêmico1.
Consumo de fibras
Recomenda-se o consumo de fibras na quantidade de 14 g/1.000 kcal, com mínimo de 25 g por dia, para melhorar o controle glicêmico e atenuar a hiperglicemia pós-prandial. A incrementação da ingestão de fibras até 35 g/dia deve ser considerada como meta razoável para reduzir o risco de mortalidade prematura1,5.
Atenção aos açúcares
Os açúcares adicionados e alimentos ultraprocessados ricos em açúcares devem ser restritos, com atenção especial para o consumo de bebidas açucaradas, que podem ser substituídas por água ou bebidas de baixa caloria1,6
Lipídeos
O consumo de gorduras totais em adultos com DM2 deve ser entre 20-35% das calorias diárias, priorizando ácidos graxos mono e poli-insaturados em detrimento de gorduras saturadas1. A suplementação de ômega 3 pode ser considerada em situações específicas, especialmente em indivíduos com hipertrigliceridemia, devido aos seus benefícios cardiovasculares. No entanto, as evidências atuais não demonstram melhora consistente do controle glicêmico.7.
Proteínas
Recomenda-se consumo de proteínas entre 15 a 20% do valor energético total diário, podendo variar de 1 a 1,5 g/kg/dia, para promover balanço nitrogenado positivo, prevenção de sarcopenia e manutenção da massa muscular1. Em casos de pessoas com quadro de hiperglicemia, dietas hiperproteicas podem ser benéficas8.
Controle da ingestão calórica
O gerenciamento do peso é recomendado para indivíduos pré-diabéticos ou diabéticos que apresentem sobrepeso ou obesidade. No pré-diabetes, a perda de peso proporcionada pelo controle calórico associado com a prática de atividades físicas pode reduzir o risco de desenvolvimento de DM21.
Em pessoas com DM1 ou DM2 que apresentem sobrepeso ou obesidade, é recomendada a perda de 5% do peso corporal para melhor controle glicêmico, promovida por estratégias individualizadas de alimentação e da prática de atividades físicas1,9.
Considerando os aspectos discutidos acima, é possível entender a importância de uma prescrição individualizada, considerando as especificidades da doença e do cuidado contínuo. A alimentação é uma aliada no tratamento do diabetes mellitus, pode melhorar a qualidade de vida e diminuir o risco de complicações e desenvolvimento de comorbidades associadas.
Referências Bibliográficas
[1] Ramos S, Campos LF, Maristela Strufaldi DRB, Gomes DL, Guimarães DB, Souto DL, et al. Terapia nutricional no pré-diabetes e no diabetes mellitus tipo 2: diretriz oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes. 2023.
[2] Diabetes (diabetes mellitus) [Internet]. Ministério Da Saúde. Available from: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/diabetes
[3] Lu Y, Wang W, Liu J, Xie M, Liu Q, Li S. Vascular complications of diabetes: A narrative review. Medicine (Baltimore). 2023 Oct 6;102(40):e35285.
[4] Gerontiti E, Shalit A, Stefanaki K, Kazakou P, Karagiannakis DS, Peppa M, et al. The role of low glycemic index and load diets in medical nutrition therapy for type 2 diabetes: an update. HORMONES. 2024 May 16;23(4):655–65.
[5] Nitzke D, Czermainski J, Rosa C, Coghetto C, Fernandes SA, Carteri RB. Increasing dietary fiber intake for type 2 diabetes mellitus management: A systematic review. World J Diabetes. 2024 May 15;15(5):1001-1010.
[6] ElSayed NA, Aleppo G, Bannuru RR, Beverly EA, Bruemmer D, Collins BS, et al. 5. Facilitating positive health behaviors and well-being to improve Health Outcomes:Standards of Care in Diabetes—2024. Diabetes Care [Internet]. 2023 Dec 11;47(Supplement_1):S77–110.
[7] Pakale A, Tiwari S, Unnikrishnan AG. Role of omega-3 fatty acid in type 2 diabetes: a clinical perspective. In: Zanwar AA, Adekar SP, Hegde MV, editors. Omega-3 fatty acids. Cham: Springer; 2025. p. [capítulo 18].
[8] Flores-Hernández MN, Martínez-Coria H, López-Valdés HE, Arteaga-Silva M, Arrieta-Cruz I, Gutiérrez-Juárez R. Efficacy of a high-protein diet to lower glycemic levels in type 2 diabetes mellitus: a systematic review. Int J Mol Sci. 2024;25(20):10959.
[9] Campos TF de, Ramos S, Campos LF, Guimarães DB, Baptista DR, Gomes DL, et al. Terapia Nutricional no Diabetes tipo 1. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes. 2024;
Escrito por
Acervo Grupo Piracanjuba
Texto produzido por fontes especializadas, e publicado pela Piracanjuba com fins informativos.
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