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27 de julho, 2026
- Por Acervo Grupo Piracanjuba

Alimentação da criança de 1 a 3 anos: como montar refeições equilibradas

Entenda a importância de uma alimentação saudável e nutritiva para crianças de 1 a 3 anos, assim como garantir um cardápio e refeições equilibradas nesta fase.
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Alimentação da criança de 1 a 3 anos: como montar refeições equilibradas
Garantir uma alimentação nutritiva e equilibrada para as crianças contribui para uma vida mais saudável, com melhor desenvolvimento e prevenindo doenças futuras, inclusive na vida adulta1.
A atenção e o cuidado com a alimentação precisam estar presentes desde o início da introdução da alimentação complementar. Essa pode não ser uma tarefa fácil para muitas famílias, pois nessa fase costumam surgir muitas dúvidas, principalmente relacionadas a como montar refeições equilibradas e que forneçam todos os nutrientes que as crianças precisam.
Saiba mais a seguir sobre a importância de uma boa nutrição nos primeiros anos de vida e como assegurar refeições completas, práticas e nutritivas para as crianças na primeira infância.

A importância da nutrição nos primeiros anos de vida

O cuidado nutricional deve seguir durante toda a infância, mas merece atenção especial nos primeiros cinco anos de vida1.
Os primeiros mil dias são considerados um intervalo de ouro, o qual compreende desde o período da gestação até os primeiros dois anos de vida da criança. É uma janela de oportunidades para impactar de forma positiva a saúde e o futuro das crianças1,2.
Recentemente, este conceito teve o seu intervalo ampliado, incluindo a fase de preconcepção e a fase pré-escolar. Assim, este novo período totaliza 2.200 dias de vida, com acréscimo dos 100 dias da preconcepção e 1.100 dias do segundo ao quinto ano de vida1.
Por isso, os primeiros anos de vida estão incluídos em um intervalo que é crucial para o crescimento e desenvolvimento adequados da criança, demonstrando a importância do cuidado com a nutrição, saúde e bem-estar neste período1.

Os desafios nutricionais nesta faixa etária

Apesar de sua importância, existem desafios que podem surgir nesta fase, principalmente após o primeiro ano de vida3.
O comportamento alimentar da criança nesta faixa etária costuma ser marcado pela seletividade alimentar , além de ser imprevisível e variável. Assim, a aceitação das refeições pode variar muito, bem como as preferências e recusas alimentares1,3.
Com este cenário, ocorre grande variação na quantidade e na qualidade dos alimentos consumidos, o que merece atenção. Porém, a forma na qual os pais ou cuidadores lidam com o comportamento e a recusa alimentar fará toda a diferença na formação do hábito alimentar e das preferências da criança1,3.

Quando os pais ou cuidadores não toleram os períodos de recusa alimentar e reagem de forma inadequada, com abordagens coercitivas ou permissivas, no sentido de forçar a alimentação ou ceder às recusas e limitar o repertório alimentar, respectivamente, essas alterações do comportamento podem se tornar dificuldades alimentares1,3.
Uma boa forma de contornar essas dificuldades é garantir uma alimentação lúdica. Realizar refeições em família, incluir de forma ativa a criança no preparo dos alimentos e dar autonomia para que ela se alimente sozinha sem a pressão do adulto, são excelentes estratégias na formação de bons hábitos alimentares3.

Composição das refeições – garantindo os nutrientes para um prato completo

Além de manejar os desafios relacionados ao comportamento alimentar, garantir a variedade da alimentação é um ponto fundamental para ter uma nutrição adequada nos primeiros anos de vida1.
Quanto mais variada e colorida a alimentação, maior o aporte de nutrientes importantes para o bom funcionamento do organismo e para a saúde4.
Além de variada, para uma refeição ser considerada nutricionalmente completa, deve incluir todos os grupos alimentares que fornecerão os principais macro e micronutrientes: carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais1.
Confira abaixo a distribuição dos macronutrientes em relação à oferta calórica total para crianças de 1 a 3 anos1:
  • Proteínas de 5 a 20%
  • Carboidratos de 45 a 65%
  • Lipídeos de 30 a 40%


Carboidratos

São os principais responsáveis pela geração de energia no organismo. Para crianças de 1 a 3 anos, é recomendado que os carboidratos sejam ingeridos preferencialmente na forma de cereais integrais, vegetais, frutas e leguminosas5.

Proteínas

As proteínas desempenham papel fundamental no crescimento e desenvolvimento infantil. A incorporação de alimentos fontes de proteínas nas refeições de crianças pequenas é recomendada, tais como carnes, ovos, laticínios, leguminosas, cereais e sementes6.
Apesar de serem extremamente importantes, as proteínas não devem ser consumidas em excesso. Um consumo proteico elevado pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de sobrepeso e obesidade7, por isso, é importante manter a oferta dentro das recomendações atuais1: 1,05 gramas/kg/dia.

Lipídeos

Entre otimizar a absorção de vitaminas lipossolúveis, fornecer energia e participar do desenvolvimento cognitivo, os lipídeos são importantes e devem fazer parte de uma refeição equilibrada nesta faixa etária1.
Apesar de sua importância, é válido atentar à qualidade das gorduras consumidas nas refeições das crianças. É recomendado limitar o consumo de gorduras trans e saturadas e estimular o consumo de gorduras mono e poli-insaturadas, principalmente na forma de ômega-31.


Vitaminas, minerais e fibras

Os principais alimentos fontes de vitaminas, minerais e fibras na refeição são as frutas, legumes, verduras e cerais integrais. Assim, a ingestão de frutas e vegetais deve ser de, no mínimo, 250 g/dia e a de fibras de, no mínimo, 15 g/dia1.

Exemplos práticos para uma refeição equilibrada

Confira abaixo exemplos de combinações de alimentos que contemplam todos os grupos alimentares e garantem refeições equilibradas para as crianças de 1 a 3 anos:

Café da manhã e lanches

1) Pão integral com queijo + fruta
2) Fruta com aveia + iogurte natural
3) Torrada integral + leite batido com fruta
4) Pão integral + ovo mexido + fruta
5) Mingau de aveia com leite + fruta
Observação importante: açúcar e mel não devem ser oferecidos para crianças menores de 2 anos de idade8.

Almoço e jantar

1) Arroz + feijão + carne desfiada + brócolis + cenoura
2) Arroz com espinafre + feijão + peixe grelhado + purê de abóbora
3) Macarrão ao sugo + ervilhas + ovos mexidos + couve refogada
4) Milho cozido + picadinho de frango + lentilha + couve-flor com tomate
5) Purê de batata + carne moída + abobrinha refogada + beterraba cozida

É sempre válido lembrar que um acompanhamento nutricional individualizado é de extrema importância, uma vez que leva em consideração os hábitos, cultura, preferências e necessidades de cada indivíduo e família.
Referências Bibliográficas
[1] Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Alimentação: orientações para alimentação do lactente ao adolescente, na escola, na gestante, na prevenção de doenças e segurança alimentar. 5ª edição – São Paulo, 2024.
[2] UNICEF. The first 1000 days. Disponível em: https://www.unicef.org/laos/ensuring-healthy-start-first-1000-days-0. Acesso em 10 de fevereiro de 2026.
[3] Sociedade Brasileira de Pediatria. Guia de Orientações – Dificuldades alimentares. Departamento Científico de Nutrologia. 2022.
[4] Brasil. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2014.
[5] World Health Organization. Carbohydrate intake for adults and children: WHO guideline. Geneva: World Health Organization; 2023.
[6] Marchini JS, Martires CL, Nonino CB, et al. Aminoácidos e Proteínas - Série funções plenamente reconhecidas de nutrientes. ILSI Brasil. 2024;2(3).
[7] Arnesen EK, Thorisdottir B, Lamberg-Allardt C, Bärebring L, Nwaru B, Dierkes J, Ramel A, Åkesson A. Protein intake in children and growth and risk of overweight or obesity: A systematic review and meta-analysis. Food Nutr Res. 2022 Feb 21;66.
[8] Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde; 2019.



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